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Caros amigos,o objetivo do Blog é compartilhar informações, opiniões e experiências sobre escaladas e divulgar o incrível potencial que a região de Nova Friburgo possui para a prática desse esporte. Disfrutem, deixem comentários e compartilhem sempre que quiserem suas aventuras pelo mundo afora! Sejam sempre muito bem-vindos! Um forte abraço e boas escaladas!!!

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

URUGUAI SUAS ESCALADAS E PRAIAS.




A bandeira de nossos hermanos Uruguaios.

Olá !!! Um feliz 2013 para todos, e este ano promete boas escaladas! Bom pelo menos foi o que eu pensei para a primeira trip do ano, só que algumas surpresas estavam guardadas, mas também o ano só está começando. Recebi um convite irrecusável de minha esposa que queria conhecer o nosso menor vizinho do MercoSul, o Uruguai . 

 
Praia de Pocitos, às margens do Rio da Prata - Montevideo - Uruguai.

A princípio, fiquei pensando:  "Bom, sei que esta viagem não tem o foco na escalada,  até porque eu nunca tinha ouvido falar de algum pico de escalada no Uruguai, mas sendo um escalador pensei logo em aproveitar uns dias para conhecer alguma coisa por lá, mas sabia que minha esposa iria reclamar um pouco e depois ia entender que uns dias a menos de praias e badalação não iam fazer mal algum.



Léo com o Rio da Prata ao fundo em Parque Rodó - Montevideo.

Primeira parte acertada com a patroa,  parti para a segunda parte: procurar informações sobre as escaladas no Uruguai. Recorri ao google como qualquer pessoa normal e logo vieram as primeiras informações e únicas. Consegui quatro artigos de escaladas, um no portal Altamontanha.com, blog do Pedrohauck.net, blog da Eliza Tratz e no blog Escaladasnosul. Todos estes estão com os Links disponíveis no nosso blog na sessão de sites e blogs de escaladas para maiores informações .
  


Pedreira do Parque Rodó - Uruguai.

Através do Altamontanha fiquei sabendo de uma escalada do alpinista Pedro hauck, no Uruguai em um pico chamado Cerro de Los Cuervos, na cidade de Minas, como sabia que o Pedro tinha um blog e também mantinha o porta Rumos, fui em busca de mais informações e fiquei sabendo que o pico contava com algumas vias esportivas e tradicionais, mas com no máximo 60 ou 80 metros de altura, e com um número exagerado de chapeletas e paradas com até cinco chapas. 



Pedreira em Montevideo.

Nesta trip o Pedro foi acompanhado pelas escaladoras Carla e Elisa Tratz, esta última mantém um blog de escalada onde foi possível encontrar mais umas informações sobre o camping e da balsa usada para atravessar a laguna de los Cuervos e também sobre escaladas em Montevidéu. Por último,  li um artigo no blog Escaladasnosul, onde em um relato sobre a abertura de duas vias no Cerro Arequita, que fica ao lado do Cerro de los Cuervos, este muito bom.   Os caras davam vários betas, croquis e também falam sobre os problemas para conseguir a permissão para se escalar nesta montanha. 



Cerro e Laguna de Los Cuervos  na cidade de Minas - Uruguai.

Bom, terminada mais uma quinzena na DPI, eu não pensava em outra coisa a não ser arrumar minha mochila e vazar para o Uruguai. Já com tudo no esquema,  parti bem cedo para o Rio de Janeiro, e às 7:30 do dia 19 de janeiro já estava voando com minha gata para Porto Alegre, e de lá para Montevidéu.


Cerro Arequita, cidade de Minas - Uruguai.

Assim que cheguamos na capital do Uruguai, ficamos impressionados como era organizada e bonita. A cidade fica a beira do famoso Rio da Prata, e é muito louco a paisagem,   na verdade parece um grande oceano marrom com belas praias mas na verdade é um rio enorme.

Cidade de Piriápolis, vista do quebra mar - Uruguai.


  E então, pulando toda aquela parte chata de nossa viagem que não interessa a ninguém vamos falar das escaladas.  Logo quando cheguei fui ao Parque Rodó, onde havia lido em um artigo que tinha várias vias esportivas mas que eram baixas, como já estava a quase dois meses sem escalar não via a hora de sujar a mão de magnésio e fazer uma forcinha .



Cerro Pan de Azúcar, cidade de Piriápolis - Uruguai.

O parque é bem fácil de achar pois é muito famoso em Montevidéu. Para encontrar a pedreira, assim que chegar ao parque, tem que ir em direção ao lago, uma vez lá, é só diversão. 
 Logo quando eu cheguei fiquei meio bolado com a quantidade de chapeletas que tem na pedreira,  em alguns casos não dá nem pra saber de qual via pertence a chapa, e é claro, várias colocadas sem noção mas pelo menos todas as paradas são duplas e com argolas ou malhas para rapelar.




Boulders no Cerro Pan de Azúcar. 

E como eu já estava esperando,  as paredes eram baixas mesmo,  acho que a maior tinha 10 ou 11 metros com 5 ou 6 chapas. Como estava na seca de escalar, tava valendo! Fiz umas quatro vias esportivas antes da noite cair, às 21h30min, pois no Uruguai só escurece esta hora, duas delas bem maneiras,  em uma aresta e uma parede vermelha pipocada de agarras .


Nós quase no cume e a famosa cruz do Cerro Pan de Azúcar ao fundo.

Como não tinha mais informações e nenhum contato de escalador no Uruguai, parti para cidade de Minas, para tentar escalar os Cerros Arequita e de Los Cuervos. De Montevidéu para a cidade de Minas leva-se cerca de duas horas de ônibus, a cidade fica no interior do Uruguai, na parte rural do país. Assim que cheguei arrumei minha mochila com minhas parafernalhas de escaladas e fui para a Laguna de Los Cuervos onde encontrava-se os dois cerros que são apontados como os melhores para a prática de escalada no país.


Escadas no interior da cruz no cume do Cerro Pan de Azúcar - Uruguai.

Levei cerca de vinte minutos de táxi    para chegar à laguna mas também tem a opção de ir de ônibus e soltar na estrada de chão que dá acesso aos cerros  caminhando aproximadamente  três km e meio até o cerro de Los Cuervos que fica mais distante que o Arequita. Assim que cheguei no camping fui recepcionado pelo dono e tive uma notícia desanimadora:  O cara estava falando que estava proibido escalar no cerro e que tinha até retirado a balsa  para fazer a travessia do rio até a margem onde ficam as paredes de escaladas do Cerro de los Cuervos.



Nós ao lado esquerdo da cruz do Cerro Pan de Azúcar, o ponto culminante da montanha.

Ainda falou que sem a autorização de um tal de Pablo ninguém poderia escalar lá. Nem precisa falar o quanto eu fiquei puto com esta história. Um cara que abre umas vias em uma montanha e depois quer que todo mundo peça autorização à ele para escalar ou só pode se for com ele de guia...não dá para entender um pensamento tão medíocre e atrasado! 


Léo no cume do cerro Pan de Azúcar em Piriápolis - Uruguai 2013.

 Como não estava afim de me estressar,  dei meia volta e fui ao Cerro Arequita onde o proprietário do local também não estava deixando escalar por causa de um musgo que tem na rocha,   dá pra acreditar????  Como estava com minha esposa e não quis forçar uma barra e furar o local para tentar achar umas vias mais escondidas e correr o risco de agravar ainda mais a situação da escalada na região que já está delicada e começando a ser desenvolvida erroneamente,  parti para a cidade de Piriápolis.




Léo fazendo um dos inúmeros Boulders do Cerro Pan de Azúcar.

De Minas para a cidade de Piriápolis leva-se cerca de uma hora de ônibus e antes de chegar à cidade pode-se avistar algumas montanhas e uma em especial destacava-se no horizonte com uma cruz enorme no seu topo, era impressionante,  a cru,z mesmo de longe, dava para ver que ela era enorme, só após chegar à cidade, fiquei sabendo que tratava-se do Cerro Pan de Azúcar .


Boulder "La Travessia", Cerro Pan de Azúcar - Uruguai.

 A montanha parecia muito interressante com umas paredes de uns 80 ou quem sabe 100 metros e uma mais baixa com umas paredes negativas para abertura de vias esportivas e vários campos de bouders, nem podia acreditar que estava vendo aquilo depois do estresse na cidade de Minas.


Léo no Boulder "Brasil" - Piriápolis - Uruguai.

Assim que cheguei em Piriápolis, desfiz as malas,  arrumei uma mochilinha com água sapatilha e uns saquinhos de magnésio para explorar os campos de boulders do cerro e fazer a caminhada até a cruz, no cume da montanha. E lá fomos nós!!!
 Piriápolis é uma cidade ótima para os turistas,  com quiosques de informações turística no terminal e outro na praia. A cidade é toda com casas sem grades ou muros,  apenas com jardins gramados e belas árvores nas ruas.


    Léo em um dos clássicos do Cerro Pan de Azúcar, o boulder "La Bolota" V4.

Pegamos um ônibus para chegar ao Cerro Pan de Azúcar que fica a 15 minutos de Piriápolis, como havia passado antes no centro de informações turísticas fui informado que a subida para a cruz no topo do cerro era bem tranquila e bem definida, na verdade quando cheguei na entrada do cerro Pan de Azúcar, que pude perceber que tratava-se de um parque que estava meio desativado. No local funciona um restaurante e umas pequenas lojas de artesanato.  




"La Bolota" - Piriápolis - Uruguai.
Fiquei sabendo que hoje em dia o pequeno zoológico estava meio abandonado com poucos animais da fauna local como veados, avestruzes, entre outros. É um lugar para fazer picnic e caminhar mas na minha mente eu só pensava nos boulders que havia visto da estrada. Fomos subindo a trilha que é bem arborizada e logo fui me deparando com os primeiros boulders e minhas expectativas iam se confirmando, o local é mesmo excelente para a prática de escalada em rocha.




 
Cerro Pan de Azúcar - Piriápolis - Uruguai.


Como o tempo não estava muito bom, resolvi dar um gás na caminhada para chegar logo na enorme cruz que a cada passo ficava cada vez maior, e entre um campo de boulder e outro chegamos no cume do cerro após uma hora de caminhada. A vista do cume era alucinante com um grande oceano azul à frente e as planícies do Uruguai, do outro lado, também dava para ver a famosa cidade de Punta Del Este, realmente é uma ponta de terra que se estende para dentro do oceano. 

 
Léo em " La Quilha" - Cerro Pan de Azúcar - Uruguai.

Logo quando cheguei no cume fiquei ainda mais impressionado com o tamanho da cruz, e uma surpresa muito interessante aconteceu, tinha uma escada em formato de caracol dentro da cruz onde podia-se chegar nos dois braços dela, onde a vista era mesmo de tirar o fôlego. Realmente achei aquilo muito interessante e novamente o turismo de Piriápolis, estava de parabéns.
  


 Boulder La Quilha - Uruguai.


Depois de tiradas muitas fotos, resolvi voltar meu foco para os campos de boulders que havia avistado na subida e é claro já tinha alguns em mente que havia analisando durante a subida. Explorei alguns no cume mas bem tranquilos e conforme ia descendo a montanha os blocos iam aparecendo.  O primeiro que encadenei foi o Boulder “Brasil” V2 como foi o primeiro, quis homenagear nossa nação, o boulder não era muito difícil mas bem maneiro, em seguida subi um bloco enorme com um crux no final onde dei uma adrenada na passada do crux, devia dar uns 7 ou 8 metros e apelidei de “ No Kaya” V3.


" La Quilha" Piriápolis - Uruguai.


Conforme ia descendo com mais calma fui descobrindo outros blocos que não havia visto na subida e a diversão só aumentando, encontrei um setor com um bloco negativo com uma aresta maneiríssima e um outro bloco mais baixo mas com uma travessia enorme de uns 10 metros para a direita e apelidei de “ La Travessia” V3.
  

Final de tarde na praia de Piriápolis - Uruguai.

Descendo mais um pouco parei em um dos boulders que certamente será o clássico do pico o “La Bolota” como o nome já diz, o boulder é literalmente uma bola perfeita com algumas agarras bem parecidas com as de muros indoor, parecem que foram coladas ali na bola, este acho que foi o mais difícil e técnico que abri no cerro na casa de V4.



Cacau no monumento  "La Mano" cidade de Punta Del Este, Praia Brava - Uruguai.

Como o tempo estava péssimo e a esta altura com uma chuva negra e raios a menos de alguns kms fui tentar um dos primeiros boulders que vi no inicio da trilha que lembrava uma quilha de navio e o mesmo foi apelidado de “La Quilha” V3.



Pedreira do Parque Rodó - Montevidéo.

Queria ter tentado um outro ainda no zoológico que estava dentro de uma espécie de jaula acho que de macacos, este era bem bonito mas quando acabei de fazer o La Quilha, a chuva chegou com tudo e não deu para fazer mais nada. Estava realmente muito feliz por ter descoberto um pico tão alucinante em outro país e que com certeza vamos ouvir falar bastante quando o assunto for escaladas no Uruguai, lembrando que ainda não há nenhuma via em suas paredes.


Léo em uma das maiores vias da pedreira do Parque Rodó.


Mas tranquilo depois da ida ao cerro Pan de Azúcar, aproveitei para curtir as praias de Piriápolis e de Punta Del Este. Fui conhecer a praia Brava, onde ficava o famoso monumento de “La Mano” um cartão postal do Uruguai, e após mais uns dias em Piriápolis, voltamos para Montevidéu, e antes de voltarmos para o Brasil, dei mais uma passada na pedreira do parque Rodó.



Léo finalizando uma via na cassa de 6c.


Durante todo o tempo que fiquei escalando tinha uns caras que ficaram me olhando e quando estava indo embora os caras começaram a se equipar e pude perceber que eram escaladores locais fui até eles para trocar uma ideia e perguntar sobre a situação da escalada nos cerros de Los Cuervos e Arequita.


Escalando mais uma via na pedreira do Parque Rodó.

Um dos caras me falou que realmente tem que ter permissão para escalar nestes cerros mas que tinha uns setores que não precisava de permissão e também não precisava da balssa, porque tem uma parte do rio que ele fica raso e da para atravessar sobre as pedras e que no Arequita, onde tem uma porteira no inicio da estrada de terra deve-se entrar ali e seguir a trilha até a pedra que vai achar umas vias em móvel e outras equipadas.



Via na casa do 5+ em Montevidéu Parque Rodó.


Ele me falou que até para escalar na pedreira tem que ter permissão, falei que o guarda assim que cheguei para escalar havia me perguntado se eu era do grupo do Pablo, e eu malandramente não querendo mais problemas para fazer meu esporte falei que era e o guarda não me apurrinhou mais.























Léo finalizando mais uma cadena.

Ele me falou que conhecia o Pablo, e que o cara realmente reprime a escalada no Uruguai, para quem é de fora, na real o que eu entendi foi que os caras abrem as vias com um objetivo de fazer um trabalho social com deficientes e por isso a quantidade exagerada de chapeletas mas na verdade eles querem é lucrar com as rotas de escaladas cobrando para guiar turistas e tentar controlar os acessos.


Dando um Rilex antes de fazer mais uma forcinha na pedreira.

Os caras esquecem que tem muitos praticantes que são profissionais e não precisam de guias, só querem chegar no pico para escalar e se divertir, e outra, acho que eles ganhariam muito mais organizando a coisa pois só tem a ganhar com a troca de experiência com escaladores de outros países mais experientes e assim fortalecendo a ética, o turismo de aventura, o acesso as montanhas e as  informações sobre os picos de escalada no Uruguai,.


Escalando uma via de 6b no parque Rodó - Uruguai.
  Galera, sei que alguns não irão concordar com este texto mais foi realmente o que rolou e de onde tirei o meu ponto de vista sobre as escaladas na terra onde se fuma e toma um mate o tempo todo.

Pedreira em Montevidéu.

Um grande abraço e ótimas escaladas neste carnaval.


Mais uma via encadenada no Uruguai.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nova rota de escalada na Pedra Aguda - Bom Jardim - RJ.




Galera recebi do Pedrim, o croqui da Visionários, a mais nova rota de escalada da Pedra Aguda em Bom Jardim - RJ. Em breve estaremos divulgando umas fotos e um texto sobre a conquista e desde já agradeço ao Pedrim, pela contribuição ao nosso blog que é muito importante para catalogarmos nossas rotas de escaladas e divulgarmos informações sobre a escalada em toda a região serrana do Rio de Janeiro, fiquem avontade para contribuir com nosso blog sempre que quiserem o espasso está aberto a todos, então vamos contribuir ABÇ LÉO.




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

ESCALADA DA TORRE DE CHOCHIS NA BOLÍVIA



                              Torre de Chochis Santa Cruz de la Sierra - Bolívia.

Fala galera do climb tudo na divina paz! Estou aqui escrevendo para vocês novamente de um hotel às  4:38 da madura em Campo Grande M.S.  Após  ter minha carteira roubada no aeroporto de Brasília, com minha grana toda da viagem além de documentos e cartões mais fazer  o que dei mole agora é  bola pra frente. Sei que tava devendo uma postagem bacana para vocês que curtem o blog e as dicas de escaladas  que colocamos nele, e foi pensando  nisso que resolvi já  à  algum tempo escalar a torre de arenito vermelho do vilarejo  de Chochis na Bolívia.

Eu pegando a van para Roboré.

O  lugar é lindo no meio do trajeto do famoso Trem da Morte que vai de Porto Quijarro até a cidade de Santa Cruz de La Sierra, todo o trajeto remete a um cenário oriental mais no meio da América do Sul. Meu fascínio por está região não vem de agora, mas estive por estas bandas em 2001, quando com mais dois amigos fomos de ônibus de Nova Friburgo até a cidade de Huaraz, no Peru para escalar o Alpamyo.

A Torre de Chochis e outras montanhas vistas de dentro da van na estrada que liga Porto Quijarro a Santa Cruz de la Sierra.

Levamos 10 dias de viagem e no terceiro dia pudemos ver da janela do Trem da Morte a imponente torre de Chochis, destacando-se  no meio do vale com suas paredes vermelhas, dava para ver que tratava-se  de um arenito bem quebradiço e perigoso. Lembro que ficamos fazendo alguns planos como voltar ali um dia para escalar aquela torre alucinante que lembrava as montanhas do Mountain Váli no deserto do Arizona nos Estados Unidos ou quem sabe um dia volta para abrimos a primeira via daquele lugar e nos consagrarmos como os primeiros a tocar aquele cume ?.....

Entrada do vilarejo de Chochis.


Bom não  nos consagramos os conquistadores da torre de Chochis, mais para minha surpresa e felicidade neste ano navegando no portal Alta Montanha, li uma matéria sobre a conquista da torre de Chochis  e para minha surpresa foi a primeira rota a ser aberta naquela montanha e por um Brasileiro com um Argentino e  mais dois Bolivianos, fiquei em êxtase com aquela notícia que não saiu mas da minha cabeça. Assim que acabei de ler aquele relato sobre a via Fúria del Viento, nome dado pela equipe, fiz um contato com o alpinista Leonardo Juliano Mangano, pedindo mais informações sobre a conquista de Chochis . O Léo respondeu e comecei a trocar emails com o mesmo em buscas de informações para escalar naquela região. Traçando o destino agora era só esperar as férias  chegarem, desenrolar um permiço com a patroa, encher o hall bag  de equipos e pegar o Trem da Morte novamente.


                                 Eu no início da estrada que da acesso ao santuário de Chochis.


Depois de todo estresse de ter a carteira furtada  tive sorte em estar com meu passaporte que havia     acabado de pegar  no consulado dos Estados Unidos e também tinha uma grana no bolso que tinha tirado  no Plaza, antes de embarcar. Já  puto da vida resolvi me acalmar e fazer uma reserva em um hotel em Corumbá  e pedir para  Cacau, depositar uma grana na conta do hotel e continuar a viagem toda está apuração  me custou um dia de escalada  acho que isto foi pior do que a grana que havia  perdido.


Eu na caminhada para o santuário de Chochis.
 
Para minha sorte consegui fazer uma reserve no hotel City, e o gerente aceitou fazer o depósito da grana em sua conta e retirar para mim, uma noticia boa mas seguida de uma ruim assim que cheguei fiquei sabendo que a fronteira do Brasil com a Bolívia estava fechada devido a um censo e só reabriria no dia seguinte resultado mais um dia de escalada perdido. Diante da situação aproveitei para conhecer um pouco de Corumbá, cidade que já havia passado algumas vezes mas nunca com calma, fui até a parte histórica da cidade que fica na beira do rio, onde tem alguns casarões antigos e o museu da cidade. No dia seguinte logo pela manha consegui uma carona com o gerente do hotel que estava indo para porto Quijarro na Bolívia, cidade onde se pega o famoso Trem da Morte.


     Local onde armei meu acampamento na primeira noite no santuário.

 
Logo que cheguei na fronteira fiquei impressionado como que em onze anos não havia mudado nada naquele local parecia que eu estava voltando há 2001 realmente estava tudo igual e a mesma zona na entrada e saída dos dois países. Como era sete da manhã e a fronteira só abria as oito para carimbar o passaporte com a permissão de entrada na Bolívia, e eu estava de carona resolvi entrar clandestinamente mesmo e vazar o mais rápido para Chochis pois estava com um dia de atraso no meu cronograma e assim fui. Não ha casas de cambio na fronteira você tem que cambiar dinheiro com os coroas que ficam em pontos estratégicos nas ruas com umas bolsas ou pastas e foi o que eu fiz, o cambio estava 3.5 bolivianos para 1 real.

    Estatua de Sam Jose olhando as montanhas e a torre ao fundo.

O gerente também me deu uma dica ótima que me fez ganhar muito tempo ao invés de eu pegar o trem que só sairia as 13:30  pegar uma van para Roboré, e de lá uma outra para Chochis e novamente foi o que eu fiz. Fiquei feliz por ter esta opção pois quanto estive em Quijarro em 2001 só tinha a opção de ir de trem a estrada para Santa Cruz, estava sendo construída ainda mas agora eu acredito que o turismo e a vida das pessoas daquela região irá melhorar com a abertura desta estrada. Peguei a van para Roboré, e após alguns minutos de viagem quando estava passando por Sam Jose, a van parou em uma espécie de posto de controle ou sei lá o que era aquilo só sei que o policial ao me ver na van o único sem cara de boliviano veio logo me pedindo os documentos e como eu não tinha carimbado na fronteira pensei Fudeu.....

 
   Eu e Odisverth Kazunari no santuário indo encordar a primeira parte da via Fúria Del Viento.

Ele abriu aquele sorosinho maroto e mandou eu descer da van, bom como estava na America do Sul  já pensei logo vai querer uma cervejinha? Dito e feito o cara veio com aquela conversa sabe como eres nosotro no queremos prejudicalo todos somos hermanos é só deixar una pequena contribuisione que estas biem kkkkkkkkk.... Resultado morri em 50 bolivianos e continuei a viagem. Assim que cheguei em Roboré,  tive que esperar algumas horas até a van que ia para Chochis sair e conheci uma figura que era brasiboliviano, ocara era brasileiro mas insistia em falar em espanhol ou portunhol acabei tomando umas Pacenhas, cerveja Boliviana com alto teor de álcool e o cara ficava colocando umas musicas Mexicanas todo tempo, só sei que sai dali doidão entrei na van para Chochis rindo atoa daquela figura.


Torre de Chochis vista da caminhada para base da via.

De Roboré, para Chochis levei uns trinta ou quarenta minutos e quando estava quase chegando pude ver pelo vidro da van a Torre de Chochis pela segunda vez em minha vida, da estrada ela parecia uma montanha realmente mágica não dava para entender como aquele pedaço de rocha foi parar ali levando em conta que havia uma muralha de arenito atrás dela, mas realmente ela era imponente naquela paisagem e se destacava. Assim que saltei da van na estrada com aquele hall bag enorme pensei ferrou agora vou ter que caminha até a base com todo este peso. Como nunca havia estado ali antes fiquei meio confuso por sorte passou uma caminhonete e dei sinal para parar e pensei vou dar uma grana para este cara me levar até o santuário mas ele acabou não me cobrando nada e me deixou no inicio da estrada que dava acesso ao santuário de Chochis.




 
                         Croqui detalhado da via Fúria Del Viento Feito por Leonardo Amorim.


Naquela altura já dava para ter uma vista linda da torre que agora mostrava suas paredes de arenito avermelhado e já dava para sentir toda sua vaibe realmente o lugar é mágico. Fiquei ali na entrada da estrada me arrumando e esperando uma caroninha mas como não passava ninguém resolvi sacar os bastões de caminhada e começar a andar pois não via a hora de tocar naquela montanha e sentir toda sua energia.


                      Croqui da via Fúria Del Viento feito por Leonardo Juliano Mangao.
                       Fonte: Leonardo Juliano Mangano.

 
Fui caminhando em direção ao santuário por uma estrada toda feita com o mesmo arenito vermelho da torre bem bacana, cruzei os trilhos da ferrovia do Trem da Morte e continuei subindo todo o trajeto deu uns 25 minutos e quando cheguei no santuário de Chochis fiquei ainda  mais impressionado com o lugar pois o santuário era bem bonito com um gramado super verde onde foi construído uma igreja toda de arenito vermelho.  Tinha mais outras duas formações rochosas uma com uma cruz no topo e a outra com uma estátua de Sam Jose. Logo que Cheguei fui recepcionado pela dona Rosa, que vive e toma conta do santuário de Chochis, ela muito simpática e hospitaleira como todo Boliviano.

Eu porteando equipamentos e água para a base da via.

Dona Rosa, me informou que eu podia acampar onde achasse melhor que o camping era voluntario ou seja não tem um valor estabelecido e que ela fornecia almoço e janta por um preço bem bacana. Ela também me falou dos alpinistas que escalaram a torre e que deram um curso de escalada para o pessoal de Chochis. Falei que conhecia o Leonardo um dos conquistadores e perguntei se ela conhecia alguém que poderia escalar comigo, e ela me informou que seu filho tinha feito o curso e sabia onde ficava a via que o Leonardo havia feito.
 
     Eu na P-1 da via com o vale de Chochis a o fundo.
 
Logo pensei vou armar meu acampamento dar uma explorada na montanha para tentar achar a via e amanha desço até o vilarejo de Chochis, para entrar em contato com o filho dela para tentar fechar uma cordada.  Armei minha barraca de frente para a torre debaixo de uma árvore dava para deitar e ficar viajando naquela montanha linda mas como meu tempo era curto joguei tudo dentro da barraca, arrumei uma mochila com meus equipos e fui explorar a região, tinha a intenção de abrir umas vias esportivas nas duas formações menores do santuário mas tive uma surpresa desanimadora.


                       Eu na fenda do crux da via Fúria del Viento.


Fui subindo as escadas do santuário e fiquei impressionado com a qualidade da trilha, era toda trabalhada com pedras e escadas de madeiras e em menos de 7 minutos estava tocando a torre de Chochis pela primeira vez.  Dei um abraço na montanha e pedi uma benção para minha escalada foi uma troca de energia boa. Continuei dando a volta na montanha a procura da via Fúria Del Viento, mais não achei o que eu achei foi inúmeras fendas e linhas alucinantes para abrir novas vias o potencial do lugar e enorme e ira virar destino certo de toda comunidade de escaladores do mundo "podem escrever estas palavras...." Dei a volta na montanha e não encontrei a base da via só encontrei uma outra estatua de Sam Jose, e voltei para tentar abrir umas vias esportivas nas pedras do santuário. Fui até a pedra onde tem uma estatua de Sam Jose, para sacar umas fotos e analisar suas paredes que eram alucinantes mas tive uma surpresa desagradável a rocha era simplesmente esfarelenta e podre de mais.

  Eu no dia seguinte me preparando para jumarear as cordas fixas desta vez em solitário.
 
Uma pena pois ia dar umas vias esportivas bem visuais, desci e parti para a pedra do santuário que parecia mais consistente subi por uma escada talhada na pedra até a cruz no seu topo armei um rapel na base da cruz com o maior respeito, desci até a borda onde pretendia abrir a via mas novamente me deparei com uma rocha totalmente podre o arenito era da pior qualidade.  Fiquei muito triste pois queria dar uma contribuição para o desenvolvimento da escalada esportiva em Chochis que só conta com uma via tradicional até o momento.


    Léo na P-2 e o início da Terceira enfiada da via Fúria Del Viento.

Depois desta decepção só me restou ver o por do sol de cima da pedra do santuário antes de voltar para minha barraca e esperar o dia seguinte para descer até o vilarejo de Chochis, para fazer contato com o filho de dona Rosa, na esperanças de ele fechar uma cordada comigo naquela altura estava disposto a escalar a torre em solitário precisava apenas saber onde ficava a via e foi o que acabou rolando.


    Eu na P-3 com o Trem da Morte passando ao fundo.


Acordei bem cedo e por sorte consegui uma carona até a casa do filho de dona Rosa, em Chochis. Foi a primeira vez que estava vendo o vilarejo de perto e fiquei um pouco impressionado com a desigualdade social que temos na America do Sul e principalmente na Bolívia, um lugar rico de natureza mas com um povo que passa dificuldades e não tem acesso a muitas coisas e mesmo assim são felizes. Cheguei na casa do  filho de dona Rosa, bem cedo ele não entendeu muito bem o que eu estava fazendo em sua porta mas logo fui explicando minhas intenções de escalar a torre e que era amigo do Leonardo, que tinha ministrado o curso de escalada, para minha sorte o Odisverth Kazunari era um cara bem maneiro e ele só falava você é louco vai tentar subir a torre solo estas maluco ...... kkkkk......


Eu chegando na cova da P-4.


Logo ficamos amigos ele me convidou para tomar um café com sua família no quintal de sua casa aceitei é claro pois tinha saído cedo e estava com fome, ele vivia em uma casa de um cômodo só com sua esposa e filha. Durante o café pudemos nos conhecer um pouco mais e ele me contou que trabalhava como guarda parque na região de Chochis que há algum tempo tinha virado um parque nacional mas o problema era que os recursos da cidade de Santa Cruz  nunca chagavam.

   Eu na cova da  P-4 esperando uma chuvinha passar para continuar a escalada.


Ele e seus companheiros estavam construindo um mirante perto de uma cachoeira que tinha uma vista privilegiada da torre e do vale de Chochis e que estavam mapeando as trilhas da região. Assim como eles eu também acreditava que somente o turismo iria tirar aquelas pessoas da pobreza e que agora com a estrada aberta o turismo ia deslanchar na região, bem papo vai papo vem perguntei a ele se teria como me mostrar onde ficava a base da via do Leonardo, e ele foi categórico posso televar até a primeira reunião da via mas dali pra frente eu não vou não kkkkkk.



Eu nos últimos lances da via 


Tudo pronto começamos nossa caminhada de volta para o santuário pelos trilhos da ferrovia para cortar caminho e subimos por uma trilha que eu não conhecia, outra coisa ter um guia local. Assim que chegamos arrumei a mochila e o hall bag o mas rápido que pude tomando cuidado para não esquecer nada. Tiramos umas fotos e começamos nossa subida para base da via o tempo não estava nada animador muitas nuvens e dava para ver uma chuva bem no final do vale o que nos fez apertar o passo. Meu objetivo era encordar até a P-2 da via que é a parte mais difícil com uma fenda meio negativa que fica mais larga no final como se fosse um offwhit, terminado em um platô.  Pretendia deixar duas corda fixa e um estoque de água e equipos para tentar fazer toda via no dia seguinte. Quando Odisverth, parou e disse aqui é a base da via eu não entendi nada, não dava para ver a linha direito e nenhum grampo pois a via começa subindo uns blocos jogando para a direita é bem fácil mas havia passado ali duas vezes parado no mesmo local por alguns minutos e nem imaginava que era ali, mas estava feliz por ter achado a via.


Eu quase no cume e o cume logo ali.


Começamos a nos equipar bem rápido pois a chuva era eminente e estava cada vez mais perto, tudo pronto fui subindo os blocos de tênis mesmo para ganhar tempo e rapidamente cheguei na P-1 da via agora sim dava para ver a linha da via, recolhi Odisverth, que estava com o hall bag nas costas e armamos a parada peguei todos meus equipos móves que havia levado e continuei subindo o mas rápido que pude, à esta altura já dava para sentir a chuva no meu cangote. Agora de sapatilha deva para ir mais rápido mas o arenito de Chochis não transmite muita segurança e tinha que testar as agarras antes de colocar pressão nelas, peguei uma chapa que estava solta no início da fenda do crux e comecei a sacar os friends, fui subindo meio que em livre e meio em artificial para ganhar tempo.



    O santuário de Chochis visto do cume.

 
 A fenda era alucinante muito bonita e para minha sorte mais consistente mas quando estava no meio da segunda enfiada a chuva chegou mas como o próprio nome da via já dizia Fúria Del Viento o mesmo estava furioso e como tinha uma espécie de diedro a minha esquerda a chuva não estava me molhando e nem a fenda que sorte a minha mas Odisverth, não teve a mesma sorte estava desprotegido e tomando um bom banho.


                      Como eu encontrei o cume da torre de Chochis na Bolívia.


Continuei subindo agora em artificial com medo de começar a molhar a fenda e quando cheguei no crux da via no offwhit, tive que ir com mais cautela o lance é bem esquisito tem que ir se entalando e como estava com muitos equipamentos na cintura e na bandoleira foi bem difícil mas consegui passar e completar o lance com pena do meu companheiro que estava ensopado fixei as cordas puxei o hall bag ajeitei o platô e comecei a rapelar debaixo de um toro, para nossa sorte as duas cordas foram até a base da via e saímos rápido da montanha.

Eu no cume com a caixa azul do livro de cume na mão.
 

Missão cumprida desci novamente para Chochis, para dar sinal de via a minha família  que não tinha notícias minhas a dois dias por sorte tinha uma lan house em Chochis, na verdade a única e lá fui eu  aproveitei para postar umas fotos no face book e antes de anoitecer já estava caminhando sozinho pela ferrovia novamente. Desta vez dona Rosa, havia deixado eu acampar dentro do refugio devido o mau tempo, cheguei morto comi e dormi  pois queria acordar bem cedo para jumarear as cordas fixas e tentar cume.


    Eu no cume da torre de Chochis com o vale ao fundo dia 24/11/2012.

Acordei as cinco da matina e para minha decepção estava  caindo um dilúvio lá fora pensei fudeo..... se não subir hoje  vai babar pois amanha tenho que ir embora até as quatro da tarde e se o tempo não melhorar já era, voltei para o saco de dormi fiquei monitorando a chuva e as oito da manha quando ela parou joguei a mochila nas costas e subi a trilha em disparada ainda com alguns chuviscos na cara mas estava disposto a jumarerar as cordas fixas e esperar por uma janela de tempo bom e novamente foi o que eu fiz.  



O vilarejo de Chochis vistos do cume com a ferrovia a esquerda e a estrada a direita e no meio a estrada que da acesso ao santuário.
 
Jumareei as cordas fixas até o platô recolhi as cordas comecei a me equipar para continuar escalando só que desta vez era só eu a montanha e deus, o tempo estava melhor  e a parede mais seca. Fui subindo a terceira enfiada em artificial que começa numa fenda muito boa e pega uma sequencia de fissuras e agarras esta enfiada é toda em móvel cheguei na P-3 e pensei beleza agora é só mais duas paradas e jogar pro cume.


    Montanhas do vale de Chochis vistas do cume da torre.

Como estava sozinho tinha que fazer todo o trabalho e como não queria ter que rapelar para limpar a via ia sacando os friends que ia colocando e abandonando as peças passivas e fui subindo com as duas cordas. Tudo ajeitado dei início o mas rápido que pude na quarta enfiada pois o tempo estava piorando e já dava para sentir o vento gelado da chuva chegando. Neste ponto fiquei meio confuso pois o croqui que eu tinha só tinha o traçado da via ele não era detalhado e fiquei em dúvida se jogava para um platô num penhasco a direita ou subia por uma fenda suja, por sorte vi um cordelete com uma espécie de gancho fifi abandonado e deduzi que a via passava por ali e fui subindo a fenda suja e pude ver um pitom e a cova da P-4 que foi um alívio chegar nela pois tinha começado a chover forte novamente e pensei e agora só tenho esta chance se for o caso vou dormi aqui mesmo e terminar a via amanha cedo e volto para o Brasil, atarde.



     Eu no cume no meio da mosquitada.

Fiquei ali um bom tempo até a chuva passar e a parede secar para dar continuidade a escalada pois estava determinado a fazer cume naquele dia, e para minha surpresa o lance seguinte da saída da caverna foi o mais adrenante de fazer em solitário.  Protegi o lance com dois friends e um Cam numero 6 meio que só para dar um psicológico pois nesta parte da via tem que sair da fenda e fazer um lance em livre para dominar um platô e com aquelas agarrinhas de arenito podre fiquei com o cú na mão literalmente, mas fui subindo testando as agarras e consegui dominar o platô pensei agora vou até o cume haja o que houver pela frente.



Eu no refúgio após a escalada secando os equipos.
  
 
Equalizei uns friends e limpei o lance da cova e prossegui por uma espécie de chaminé mas dava para fazer andando e se entalando, dominei mais um platô onde tinha uma proteção em uma corda abandonada polos conquistadores e cheguei na P-5 a última parda dupla da via só que junto comigo veio mais uma chuva que caiu mais intensamente todo o vale sumiu ficou tudo branco mas pensei agora é só jogar pro cume falta muito pouco. Fiquei abrigado sentado encima das cordas e quando ela passou dei continuidade a escalada mais uma vez.



Eu no dia seguinte na missão de desgarrar as cordas na P-2.



A inclinação havia caído muito e dava para seguir de tênis fui subindo até achar uma chaminé que subi e dei de cara com um platô onde tem uma caverna muito doida na parede e dava para ver o cume, estava muito perto segui num trepa espinho que recomendo fazer de calça eu estava de bermuda e me ferrei. Mais algumas rampas um costãozinho e já dava para ver o cucuruto do cume da torre fiquei em êxtase, andei mais um pouco e pude ver o santuário lá embaixo parei para sacar umas fotos antes do cume e sem perder mais tempo toquei o cume da torre de Chochis, me tornando o quarto ser humano no topo daquela montanha linda.



Eu no refúgio secando as cordas e arrumando minhas tralhas para meter o pé. 

Os deuses das montanhas haviam espantado as nuvens e pude ter uma vista alucinante das montanhas ao redor da torre e do vilarejo de Chochis, saquei muitas fotos  peguei a caixa azul com o livro de cume e deixei meu depoimento e minha assinatura da primeira repetição da via Fúria Del Viento e primeira escalada em solitário da torre. Fiquei dando uns gritos de hoohoooo!!!! no cume para a galera que estava no santuário que me responderam e eu acredito que eles nem deviam estar acreditando que tinha subido sozinho e com aquele tempo horrível. Infelizmente tinha uma nuvem de mosquitos no cume e tive que ficar um pouco mais abaixo e nem deu para tirar uma foto com as bandeiras que  os conquistadores haviam deixado no cume, pude ver que uma enorme chuva estava se aproximando e tive que partir mas com a sensação de missão cumprida e muito feliz pois sabia que um dia iria estar ali nem me importava de ter esperado onze anos para isto se tornar realidade por isso digo a todos acreditem em seus sonhos por mais difíceis e impossíveis que pareçam um dia eles se realizam.



     Eu com a criançada de Chochis na entrada da igreja do santuário.


Fui descendo e antes de chegar na P-5 já estava todo ensopado pela chuva desta vez bem mais forte que a última mas não estava nem ai estava feliz e ao mesmo tempo atento pois a descida da via e tão perigosa quanto a subida, ainda mais tendo que rapelar naquele arenito maluco. Armei o primeiro rapel que foi tranquilo deu para descer até a cova e dela fiz mais um até a P-3 outro até a P-2 e no último da P-2 para a base a corda simplesmente agarrou e não soltou por nada como estava com o hall bag pesado nas costas e debaixo de um toro abandonei as duas cordas para trás e meti o pé para o refugio do santuário.


    O interior da igreja do santuário de Chochis.


Quando cheguei  tinha um monte de gente no santuário e todos me olhavam como se fosse um E.T e ficavam me perguntando se tinha subido a torre e quando eu falava que sim os olhos deles brilhavam de desconfiança, e falavam cadê seu parceiro e eu falava que tinha subido sozinho e eles pensavam só podem ser locos estes brasileiros. Sem perder tempo desci novamente para Chochis, debaixo de uma chuva lavando a alma de alegria e olhando para o cume da torre feliz da vida pela escalada incrível que tinha feito.  Abri o face book e tinha varias mensagens positivas e comecei a responder todas e postar as fotos  da escalada e do cume  ainda em êxtase, fui até a casa do Odisverth, para dar lhe a notícia que tinha conseguido chegar no cume hoje e ele, mas como choveu o dia todo e só acreditou quando viu as fotos comprei minha passagem de volta para Quijarro e  voltei para o santuário para descansara pois ainda tinha mais uma missão no dia seguinte  para tirar as cordas que haviam ficado agarradas no último rapel.


    Cachoeiras formadas pela chuva em Chochis.

 
O domingo amanheceu chovendo muito e quando a chuva deu uma trégua coloquei a cara para fora do refugio e pude ver umas cachoeiras alucinantes que haviam se formado nas paredes que cercam o vilarejo de Chochis, pareciam ter uns 200 ou 250 metros simplesmente lindas dei mais um tempo e comecei a subida mais uma vez para desgarrar as cordas abandonadas no dia anterior, jumareei bem no sapatinho e quando cheguei perto da P-2 pude soltar as cordas que tinha ficado presa com o nó em uma fenda, sentei no platô e agradeci a todos os deuses e santos da região pela escalada e me despedi daquela montanha incrível que certamente irei voltar um dia.


    Eu no santuário de Chochis pegando minha última chuvinha.


Mais uma vez no santuário aproveitei para sacar umas fotos do local com mais calma me despedi de dona Rosa,  e do Odisverth, e agradeci por tudo que eles fizeram por mim porque se não fosse a boa vontade deles eu nunca teria conseguido escalar a torre de Chochis, deixei alguns equipamentos para o Odisverth, para ajudar na construção dos mirantes e peguei uma carona para Chochis, e de lá meu ônibus para Quijarro e vazei para o Brasa.


    Léo se despedindo do santuário e da maravilhosa torre de Chochis na Bolívia - 25/11/2012.



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

ONBLOX - NOVO POINT DE ESCALADA INDOOR EM NOVA FRIBURGO - RJ

Pedrim escalando uma de suas criações na Onblox - Nova Friburgo _ RJ.
 
 

Léo - De onde veio a idéia de fazer esse projeto?

Pedro - Primeiramente agradecer o espaço concedido aqui no blog! O projeto veio num dia em casa enquanto fazia um treino no murinho que eu tinha na garagem. Já tem uns bons anos que eu tenho um muro em casa, e a galera sempre frequentou, e acabava sendo lá que surgiam as varias empreitadas dos finais de semana, e sempre vinha alguem que não tinha contato nenhum com a escalada, e penava se fosse brincar com a galera, e foram dessas situações que surgiu a idéia de fazer um lugar totalmente voltado ao iniciante, mas que tivesse a estrutura necessária pra um escalador de nível avaçado treinar.


                                  Pedro no negativão da OnBlox.

Léo - Como é o cenário da escalada em Nova Friburgo?

Pedro - Friburgo sempre foi uma cidade de altissimo potencial na escalada, e sempre teve ótimos escaladores, mas de um tempo pra cá essa cultur ficou um pouco enfraquecida, reflexo dos problemas com o parque das Furnas, falta de um muro comercial, ou até mesmo de eventos relacionados aos esportes de montanha, mas mesmo assim sempre existiram varios escaladores na cidade, porque existem mais de 200 vias espalhadas nas proximidades, além de termos os Tres Picos a 30 minutos. Mas como eu já disse, faltava mobilização, algo que unisse os escaladores e servisse de identidade pro esporte na cidade.


Pedrim na Quilha da OnBlox.

 
Léo - Fale um pouco da estrutura que a gente encontra na OnBlox?

Pedro - Nós temos 5 muros independentes, o cubo, o módulo, o cogumelo, a quilha e o desplome da entrada, no cubo temos dois topropes um menos de 90* e o outro 90*, o módulo é a menina dos olhos de qualquer escalador forte que entra aqui, praticamente uma rampa prismada de 45* com 4metros de altura, o cogumelo nem precisa descrever, é um “cogumelo”, saidinha negativa, tetinho e aquela virada abaulada.... aposto que a galera sabe do que eu to falando! Na  quilha tem outro toprope, esse um pouco negativo, mas tambem comporta vários lances pela pinça frontal! Trabalhos de calcanhar e opossições são obrigatórios, e é onde rola o estilo “Highball” com 5,5 metros no topo. Por ultimo tem o desplome da entrada, uma placa continua de negatividade muito suave, toprope ideal pros iniciantes começarem a adotar seus projetos. Completando a área temos um campusboard e um sistemwall que se mescla com fingerboards, e fazendo a conexão de todos os muros temos a slackline e uma escala de corda passando pelo teto pra fazer um expresso quilha-cogumelo!   

Galera treinando na OnBlox.
 
 
Léo - Existem muitas escaladas nas proximidades?

Pedro - Nova Friburgo sempre foi referência na escalada por causa dos Tres Picos, mas pouca gente sabe das inumeras vias que temos dentro da cidade, várias nas furnas, varias no Inperador, Catarina, Pirâmide, algumas tem mais de 300 metros como a Paraiso Artificial na face leste da Catarina, que tem uns bons 350 metros, e muitas outras de qualidades únicas como a Phobus no parque de Furnas, com umas fenda de 120 metros contínuos.

Alguns boulders da OnBlox.
 

Léo - Como a escalada agrega valor à cidade?

Pedro - A população no Brasil tem muito a cultura do turismo praiano, ainda estão bem recentes as vertentes de exploração turisticas nas montanhas, tanto que ainda vemos varios problemas de acesso devido a falta de informação, e a escalada mostra de uma forma explicita o porque dessas pedras todas estarem ai! E assim como outros esportes, move pessoas, que vão aos lugares, consomem nos comércios locais, movem um tipo de economia altamente sustentável, porque só trazem recurssos, e na maioria das vezes em troca de serviços, o que é ideal pro crescimento de um município. Vide o exemplo dos lugares da europa e até mesmo dos EUA onde existem vilarejos totalmente dependentes desse tipo de visitação, e nos dias de hoje, um lugar com o potêncial de Friburgo para os esportes de montanha, tem que ser visto, e vivido, pra que possa crescer de forma organizada e forte.

OnBlox  Nova Friburgo - RJ.
 

Léo - A que público se destina a OnBlox?

Pedro - A OnBlox se destina a todos os públicos, uma vez que temos desde um toprope positivo até paredes contínuas de 45* de inclinação. A escalada de forma geral tambem é um esporte bem variado e democrático, porque pode ser práticado em várias modalidades, seja um problema curto e explosivo (boulder) ou uma escalada longa de parede, com vários lances de artificial, ficando totalmente à escolha do praticante que tipo de desafio ele busca, e na OnBlox é o lugar ideal pra se preparar pra esses desafios!

Pedro atravessando na escada para os outros boulders.
 

Léo - Pra terminar diz ai os horários e onde fica.

Pedro - A OnBlox fica no Centro Comercial de Duas Pedras, na av. Governador Roberto Silveira 700, em Duas Pedras, e funciona de segundas de 16 ás 21 horas, e terça a sexta de 8 ás 11 horas e 16 ás 21 horas. E o passe único custa R$15. Ou 5 passes válidos por um mês R$60. Ou passe livre, todos os horários R$110.

Então sacode ai e bora escalar!!! 

OnBlox.